Daniel Vorcaro diz que liberou dinheiro para filme de Lula após acordo envolvendo João Vaccari e Alexandre Padilha

Daniel Vorcaro disse, em áudios e documentos obtidos pela revista VEJA, que liberou dinheiro para um filme sobre Lula. Os relatos ligam o pagamento ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e ao ministro Alexandre Padilha.

Confissão coloca dinheiro para filme sobre Lula dentro de um esquema ligado a fundos de pensão

A história aparece em relatos de Vorcaro, que ficou preso desde março em Brasília, acusado de participação em fraudes bancárias. No material, o banqueiro descreve negociações com integrantes do PT e diz que os valores teriam relação com acesso a fundos de pensão ligados a estatais.

Ele afirma que os encontros incluíram o Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, e cita conversas sobre pagamento para produção de documentário no exterior. A revista relata que a investigação envolvendo esses fatos não avançou na Procuradoria-Geral da República por falta de provas, segundo a própria procuradoria.

Pagamentos citados: R$ 30 milhões em espécie e taxa de 10% sobre operações nos fundos

Vorcaro diz que os pagamentos para o Instituto Lula envolvem 30 milhões de reais em espécie, pagos por fora. Ele também fala em outro valor que não foi revelado e em documentos levados à PGR em junho passado.

Nos relatos, o banqueiro afirma que Vaccari teria exigido uma taxa de 10% sobre tudo o que o banco captasse junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Vorcaro menciona que, se desse certo, o petismo ficaria com 1 bilhão de reais e ele faturaria 9 bilhões de reais.

As conversas citam Alexandre Padilha e Olavo Noleto, além de um operador identificado como “Júlio”. A revista informa ainda que a inclusão do Banco Master na chamada “lista exaustiva” ocorreu em 29 de abril de 2024.

Encontros no Planalto e mudanças após julho de 2024; acusações são negadas

Segundo Vorcaro, ele participou de reuniões no Planalto com Padilha e teve contato com os operadores ligados ao esquema. A revista relata que houve jantares depois da liberação para o Master operar nos fundos, e que mensagens mostram cobrança de pagamentos e e-mails sobre Petros, Postalis e Previ.

A revista diz que, em julho de 2024, a operação sofreu recuo após matérias na imprensa. Vorcaro relata que, no fim, encerrou as conversas com Júlio no início de agosto, depois de mais tentativas sem resultado.

Procurado, Lula afirmou que jamais solicitou ou recebeu vantagem financeira e que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. Noleto disse que não tem relação com Vorcaro e que não recebeu recursos. Padilha também negou relação. A reportagem informa que os outros citados não se manifestaram até o fechamento.

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