Derrota de Trump nas eleições de meio de mandato não garante melhora entre EUA e Brasil, diz professor

Mesmo com uma derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a relação com o Brasil pode não melhorar. Essa avaliação é do professor de Relações Internacionais Alfredo Nyegray, no VEJA em Foco.

Professor diz que Congresso dos EUA pode travar Executivo, mas não muda política externa do país

Nyegray explicou que a política externa americana fica sob comando do Poder Executivo. Ele comparou essa lógica ao que acontece no Brasil.

Para ele, uma mudança na maioria parlamentar pode dificultar a atuação do Executivo em algumas frentes. Ainda assim, isso não garante melhora automática na relação entre os dois países.

Relação bilateral vive um dos momentos mais difíceis; democratas podem criar obstáculos a nomeações

O professor lembrou que Brasil e Estados Unidos passam por um dos momentos mais difíceis da relação bilateral nos 200 anos de história diplomática entre os dois países.

Ele disse que, se os democratas conquistarem maioria na Câmara dos Representantes ou no Senado, o cenário não mudaria de forma significativa. Nyegray afirmou que os democratas podem dificultar a aprovação de indicações feitas por Trump para cargos no governo americano, dependendo do resultado eleitoral.

O professor citou também que episódios ligados a críticas de Trump ao sistema eleitoral brasileiro não mudam o ponto central. As decisões diplomáticas, segundo ele, seguem concentradas no Executivo americano.

Travas políticas e acenos ao governo brasileiro podem aliviar tensões, sem alterar direção da política externa

Nyegray afirmou que os democratas podem fazer acenos ao governo brasileiro. Ele disse que isso pode aliviar parte das tensões, mas não significaria mudança efetiva na condução da política externa.

O professor concluiu dizendo que uma melhora das relações é difícil de afirmar de forma concreta.

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