Especialistas dizem que disputa por sigilos entre Lula e Flávio virou jogo político às vésperas da eleição

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro brigam pela abertura dos próprios sigilos bancários, fiscais e telefônicos e especialistas dizem que a discussão virou jogo político. A controvérsia ganhou força na reta final do segundo turno e foi comentada no VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.

Briga por sigilos vira debate político e deixa eleitor com poucos dados

A doutora em Direito Processual Civil Anna Beatriz Hirsch classificou a disputa como “farsa” e disse que a troca de exigências entre as campanhas não cria condições reais para análise.

Ela afirmou que o eleitor comum não tem instrumentos e conhecimentos para examinar um volume grande de informações bancárias e tirar conclusões.

André Mendonça diz que candidatos podem liberar dados por vontade própria

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), explicou que os próprios candidatos podem divulgar voluntariamente suas informações bancárias. Ele disse que a decisão fica com os envolvidos e que não precisa de autorização da Justiça Eleitoral.

A manifestação veio depois que as campanhas concordaram com condições para a abertura de dados que também envolviam familiares e terceiros.

Hirsch citou a falta de tempo. Segundo ela, com pouco mais de 48 horas até a votação, não daria para examinar os documentos, identificar inconsistências e permitir esclarecimentos.

Cientista político fala em “piada” e em sigilo seletivo

O cientista político Elias Tavares também criticou a sequência de desafios e respostas. Ele disse que a transparência foi virando “piada” e citou “jogo de cartas” e “jogo de truco”.

Tavares questionou a divulgação de apenas parte das informações e chamou isso de “abertura de sigilo seletiva”. Ele também afirmou que o desgaste pode cair sobre os dois lados.

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