Uma semana depois das inundações repentinas entre o Nepal e o Tibete, famílias nepalesas começaram nesta quarta-feira, 2, a fazer cerimônias fúnebres simbólicas para “libertar” as almas de parentes desaparecidos. Quase 4.500 pessoas seguem sem paradeiro.
Rituais hindus após buscas em massa: famílias “libertam” almas de desaparecidos
Em meio ao avanço lento das buscas, parentes passaram a organizar os últimos ritos de pessoas que não foram encontradas. A maioria pode nem estar localizada após o tsunami de lama e detritos que atingiu casas, ruas, pontes e usinas elétricas.
Com necrotérios lotados, algumas famílias seguiram rituais hindus. Elas queimaram efígies de palha durante as cerimônias.
Mais de 1.100 mortos, busca continua e autoridades permitem enterro sem identificação formal
A tragédia aconteceu após o colapso parcial de uma geleira que caiu em um rio. O balanço já ultrapassa 1.100 mortos nos dois lados da fronteira entre Nepal e Tibete.
Depois de dias de procura em abrigos e necrotérios, autoridades nepalesas autorizaram, desde o último domingo, por razões sanitárias, o sepultamento de vítimas sem esperar a identificação formal, após exames de DNA.
As equipes seguem atuando, com foco em túneis das centrais hidrelétricas. Até agora, os resgates recuperaram corpos, mas continuam escavando, perfurando e removendo escombros em busca de pessoas bloqueadas pela lama.
Quem está desaparecido e o que autoridades dizem enquanto as buscas seguem
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que ainda mantém a esperança de que alguns dos milhares de desaparecidos possam estar vivos.
Entre os desaparecidos, há mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países: 583 no Nepal e 261 na China. Há ainda turistas que viajavam para trilhas no Himalaia e peregrinos hindus que buscavam paz espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.
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