Imprensa internacional trata tarifas de Trump como mais um capítulo do atrito com o Brasil

Jornais e emissoras do exterior repercutiram a nova ofensiva tarifária de Donald Trump contra o Brasil e ligaram a medida ao desgaste político entre Washington e Brasília. A discussão ganha força agora com a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Veículos estrangeiros conectam tarifas a disputas políticas entre Trump e Lula

A cobertura internacional tratou a decisão como mais um capítulo do desgaste nas relações entre Washington e Brasília. A disputa comercial aparece ligada ao contexto político que marca a relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reuters, CNBC, Al Jazeera, Bloomberg e Associated Press também dedicaram espaço ao tema, cada uma com um recorte próprio sobre a justificativa e o alcance da medida.

Tarifa muda de 50% para 25% e inclui regras ligadas a Seção 301 e exceções

A proposta prevê tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Ela substitui parcialmente a alíquota de 50% anunciada no ano passado, quando a Casa Branca mostrou 40 pontos percentuais da taxa como resposta ao que Trump classificava como perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Reuters informou que a cobrança foi feita depois de uma investigação americana concluir que o Brasil adota práticas consideradas desleais. A agência citou áreas como comércio digital, proteção da propriedade intelectual, serviços de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

A CNBC destacou o alcance limitado por causa das amplas exceções. Em entrevista, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, descreveu a ação como “bastante matizada”. A emissora também registrou que novas conclusões sobre investigações comerciais podem sair nas próximas semanas.

Reação de Lula, superávit e exclusões de produtos aparecem na cobertura

A Al Jazeera ressaltou um descompasso entre a justificativa oficial e dados comerciais. A reportagem citou especialistas que apontaram uso crescente da Seção 301 da legislação comercial americana para impor tarifas após reveses judiciais, e lembrou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil.

A Bloomberg apontou exclusões de produtos como aeronaves, café, petróleo, metais raros e fertilizantes. A Associated Press registrou a reação de Lula, que disse ter recebido a decisão com “indignação” e criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chamando-o de “anti-latino-americano”. Lula também declarou: “Se eles não quiserem comprar de nós, venderemos para outro”, frase ligada pela imprensa ao papel da China como principal parceira comercial do Brasil.

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