O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega criticou a proposta de Flávio Bolsonaro de usar R$ 200 bilhões dos cofres públicos para comprar dívidas de pessoas físicas e jurídicas. Ele afirmou que a medida não faz sentido na reta final da campanha e disse que o senador se afasta de mudanças fiscais consideradas necessárias.
Crítica mira proposta de compra de dívidas com dinheiro do Tesouro
Maílson da Nóbrega avaliou a ideia como “absolutamente sem sentido”. Ele ligou a proposta ao que chamou de contradição na campanha de Flávio Bolsonaro.
Segundo ele, a renegociação de dívidas apresentada no debate não combina com a expectativa de uma política econômica voltada ao equilíbrio das contas públicas.
Debate no segundo turno e números citados: R$ 200 bilhões e limite de gastos
A análise foi feita no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, após o primeiro debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transmissão aconteceu pela TV Bandeirantes.
Maílson citou que a destinação de R$ 200 bilhões do Tesouro Nacional enfrentaria um cenário de gastos obrigatórios e discricionários de R$ 235 bilhões. Ele fez a pergunta sobre como o senador colocaria esse valor no orçamento.
Ele também disse que, depois da compra das dívidas, o Tesouro viraria o credor. Na avaliação do economista, o governo não teria estrutura para cobrar milhões de devedores e nem capacidade de levar casos à Justiça.
Risco moral e mudanças em vinculações de despesas entram na discussão
Maílson apontou o chamado risco moral, situação em que um socorro público pode incentivar comportamentos financeiros irresponsáveis. Ele disse que a proposta passa a ideia de que o governo pode assumir dívidas privadas no futuro.
O economista ainda afirmou que Flávio vem rejeitando mudanças estruturais ligadas ao ajuste fiscal. Ele citou alterações na vinculação de despesas ao salário mínimo e nos pisos constitucionais de saúde.
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