Ministro do Chile explica benefícios a condenados por crimes sexuais e suspende decretos

O ministro da Justiça do Chile, Fernando Rabat, justificou nesta sexta-feira, 23, os benefícios concedidos pelo governo de José António Kast a condenados por crimes sexuais. A medida ganhou repercussão após a imprensa chilena mostrar que houve redução de penas e que também afetou condenados por violações de direitos humanos durante a ditadura de Pinochet.

Rabat diz que lei manda reduzir pena após metade da condenação

Rabat afirmou em entrevista à rádio Duna que a lei obrigou a aplicar as reduções de pena. Ele disse que as normas chilenas preveem cortes depois de cumprir metade da condenação.

O ministro declarou que, como existem leis constitucionais com aplicação imediata, o governo precisava tomar essas decisões.

Interferferencia: penas de 56 condenados foram reduzidas em sete meses

O site investigativo Interferferencia informou na véspera que a gestão de José António Kast, que tomou posse em março, reduziu ao longo dos últimos sete meses as penas de 56 condenados por abuso sexual e estupro.

O jornal El Mostrador também revelou que o governo chileno beneficiou dois condenados por violações de direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Kast é defensor desse período.

Justiça suspende novos decretos e prepara projeto contra benefícios a crimes contra menores

Diante da polêmica, o Ministério da Justiça anunciou nesta sexta-feira a suspensão da tramitação de novos decretos de redução de pena. A pasta disse ainda que há um projeto em construção para impedir que condenados por crimes sexuais contra menores sigam tendo acesso a esses benefícios.

Organizações de direitos humanos já questionavam a gestão de Rabat e citaram uma ação da semana em que o ministério apresentou um projeto de lei para impedir que o Instituto Nacional de Direitos Humanos faça queixas na esfera judicial.

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