Daniel Ortega afirmou que a Nicarágua vai deixar de realizar eleições, em meio a um discurso durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista no domingo 19. A declaração mira a disputa ao fim do mandato, previsto para 2027.
Ortega anuncia fim das eleições durante ato em Manágua
Ortega falou durante um ato em Manágua e disse que pretende impedir qualquer possibilidade de a oposição voltar ao poder. Ele declarou: “Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”.
O presidente nicaraguense também disse que a Assembleia Nacional “trabalhará para aprovar ‘leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria’”. Ele acrescentou: “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”.
Discurso cita reforma e prevê mudança sem explicar como medida será feita
Ortega não explicou de que forma a medida será implementada. A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em 2027, após reformas constitucionais que entraram em vigor neste ano e ampliaram o mandato presidencial para seis anos.
Durante a fala, Ortega voltou a atacar os Estados Unidos e acusou Washington de interferir na América Latina. Ele também criticou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.
Mandato vai até 2027 e governo de Ortega segue no comando desde 2007
Daniel Ortega governa a Nicarágua desde 2007 e já presidiu o país na década de 1980. Em 2025, mudanças na Constituição oficializaram Rosario Murillo, sua esposa e então vice-presidente, como “copresidente”.
O artigo lembra que a última eleição presidencial foi realizada em 2021 e foi amplamente questionada após o governo prender pré-candidatos da oposição e intensificar a repressão contra dissidentes políticos. A Nicarágua vive crise política desde 2018, quando protestos contra o governo foram reprimidos, deixando mais de 300 pessoas mortas.
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