A Polícia Federal entrou no alvo do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral, por suspeita de ligação com um esquema atribuído ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. A PF fez buscas na casa dele em 2 de julho, na Operação Unha e Carne.
Investigação aponta “núcleo político-administrativo” ligado a contratos e empresas
Na sexta fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal diz que Marco Antônio Cabral pode atuar no “núcleo político-administrativo” do esquema. Esse braço teria a função de dar “trânsito administrativo e utilidade econômica” ao grupo, aproximando operadores financeiros, empresas e agentes com influência no poder público fluminense.
A PF afirma que, segundo a investigação, Adilsinho teria distribuído propinas a autoridades em troca de blindagem, e cita planilhas apreendidas com Adilsinho. As planilhas associam 29 milhões de reais a políticos e candidatos, e os repasses seriam feitos por meio de uma rede de empresas do setor gráfico.
Busca inclui gastos de campanha com gráficas e participação de outros citados no inquérito
A PF aponta como indício a conexão de Marco Antônio Cabral com as gráficas sob suspeita. Na campanha de 2018, ele pagou cerca de 350.900 reais à Apel Gráfica e Editora, e quatro anos depois declarou aproximadamente 471.700 reais em despesas com a Nova Visual Representações Gráficas.
A investigação diz que essas empresas foram ligadas ao núcleo gráfico que teria pulverizado e reinserido na economia formal recursos ligados a contravenção e contrabando de cigarro. A PF também menciona que a Apel teria movimentado aproximadamente 12,8 milhões de reais em campanhas eleitorais entre 2016 e 2020, enquanto a Nova Visual recebeu 6,3 milhões de reais em 2022.
A PF cita ainda que as mesmas empresas aparecem como fornecedoras de campanhas de Rodrigo Bacellar (União) e Cláudio Castro (PL), citados no inquérito. A investigação ressalta que repetir fornecedores não prova, sozinho, corrupção, mas afirma que o padrão reforça a hipótese de que as gráficas “funcionavam como canais de circulação de valores no ambiente político-eleitoral”.
STF autoriza buscas e defesa diz que relações são só comerciais ou familiares
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as buscas contra Marco Antônio Cabral, e o material apreendido segue em análise. O caso envolve também a proximidade do investigado com Bacellar, além de um suposto papel do sogro Edson Martins Lopes Júnior na ocultação patrimonial atribuída a Adilsinho.
Procurada, a advogada Patrícia Proetti disse que Marco Antônio “nunca teve nenhuma relação comercial com os citados” na operação. No vídeo após a busca, ele afirmou que “está de cabeça erguida” e declarou: “Nós vamos continuar nossa pré-campanha rodando o estado”.
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