A Polícia Federal (PF) diz que o ex-deputado Eduardo Cunha atuava como um “agente secreto” na Câmara dos Deputados, com mais poder do que parlamentares eleitos. A investigação cita orientação de “(re)direcionamento de valores públicos” ligado à campanha de Cunha ao cargo de Deputado Federal por Minas Gerais.
PF aponta influência de Eduardo Cunha sobre emendas mesmo sem mandato
A PF afirma que Cunha orientava ações na Câmara mesmo sem mandato. Segundo a investigação, ele comandava um esquema que afetava emendas criadas para atender demandas de representantes eleitos.
A PF diz que o caso envolvia interferência no direcionamento de recursos federais sem autorização institucional.
Bloqueio de R$ 6,1 bilhões e movimentação de emendas da Comissão de Saúde
Antes disso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6,1 bilhões de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas. O valor total citado foi R$ 6.150.378,00.
A PF relata que ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde da Câmara teriam sido movimentadas sob ordens de Cunha. As investigações também mencionam a servidora Mariângela Fialek, apelidada de “Tuca”, como parte do esquema.
O processo cita ainda o deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG). A decisão mencionada no texto aponta que a conduta pode configurar crime de peculato, previsto no art. 312 do Código Penal.
Defesa diz que Cunha não recebeu intimação e não apresentou emendas
Em nota, a defesa de Eduardo Cunha afirmou que “antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação”.
A defesa disse também que “Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar” e que, por isso, não apresentou nem formalizou as emendas citadas nas reportagens. A nota ainda afirma que as emendas foram “oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”.
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