A polícia da Itália prendeu dois cidadãos paquistaneses após um incêndio criminoso na região da Calábria, no sul do país, que matou quatro trabalhadores agrícolas migrantes. O caso expõe a exploração de mão de obra rural ligada ao chamado “caporali”.
Calábria: sobrevivente relata fogo após bloqueio das portas e uso de isqueiro
A polícia afirma que os suspeitos bloquearam as portas do veículo e despejaram gasolina por dentro. Eles teriam ateado fogo com um isqueiro.
As vítimas foram encontradas carbonizadas dentro de uma van em Corigliano-Rossano. Um sobrevivente afegão conseguiu escapar das chamas ao pular por uma das janelas do carro.
“Caporali” recrutam e controlam trabalhadores rurais em condições precárias
As autoridades locais dizem que os suspeitos atuavam como “caporali”, intermediários responsáveis pelo recrutamento e pelo controle informal de trabalhadores rurais. Esse esquema cria condições frequentemente precárias, segundo a polícia.
O sobrevivente relatou que os migrantes trabalhavam em plantações de morango. Ele disse que viviam em vulnerabilidade, com apenas alimentação e alojamento, e que os intermediários usavam ameaças para controlar os empregados.
Legislação endureceu em 2025, mas autoridades cobram mais inspetores
O presidente da região da Calábria, Roberto Occhiuto, afirmou que o crime “levanta questões profundas sobre a tragédia da migração, o valor da dignidade humana e as responsabilidades que uma sociedade civil deve assumir para com os mais vulneráveis”.
O episódio retomou o debate sobre o “caporalato”, descrito como uma forma de escravidão moderna. Apesar de a Itália ter endurecido a legislação contra a exploração laboral em 2025, com penas de até seis anos de prisão e confisco de bens, a fiscalização ainda enfrenta limitações, e autoridades apontam a necessidade de pelo menos 6 mil novos inspetores do trabalho.
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