Protestos lotam a Praça Puerta del Sol em Madri após despejo de Maricarmen Abascal

Mais de 5 000 pessoas montaram acampamento na Praça Puerta del Sol, em Madri, há um mês, depois de um despejo que ganhou vídeos nas redes. A situação puxa um debate sobre falta de moradias e alta nos aluguéis, que já atingiu dezenas de cidades na Espanha.

Acampamento em Madri mostra crise de moradia que se espalha por 50 cidades

O protesto começou a ganhar força após o despejo de Maricarmen Abascal, uma senhora de 87 anos expulsa da casa em que viveu quase a vida toda.

Ela não conseguiu pagar um aumento de 275% no aluguel, foi levada de maca ao hospital e morreu poucos dias depois.

Aluguéis sobem, vagas somem e governos antecipam eleições na Espanha

Na Espanha, a crise aparece junto com um aumento médio de 84% nos aluguéis ao longo da última década.

No mesmo período, na União Europeia, o preço dos imóveis cresceu 60% e os aluguéis passaram a consumir mais de 40% dos salários, número que a OCDE trata como um alerta vermelho financeiro.

O cenário também bate em outros países: em setembro, em Berlim, o partido Die Linke (A Esquerda) venceu eleições e, na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez antecipou as eleições para 29 de novembro.

Falta de imóveis e aluguel de curta duração elevam pressão nas cidades

Uma barreira apontada é a falta de casas e apartamentos. A Alemanha constrói apenas metade das 400 000 novas unidades habitacionais estimadas para cada ano, enquanto a França prevê 300 000 novas residências neste ano, 220 000 a menos do que a procura.

O texto também destaca o papel de plataformas de aluguel de curta duração, como Airbnb, que chegam a ocupar 20% dos imóveis em destinos turísticos. Na Espanha, o déficit chega a 750 000 habitações.

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