Quase 900 milhões de pessoas registraram em 2026 o julho mais quente da história, aponta análise da AFP com dados do monitor climático europeu Copernicus. O levantamento indica que 33 países bateram recorde de temperatura para o mês.
Calor recorde no planeta afetou América Latina, África e Europa
A análise divulgada nesta segunda-feira, 10, liga o calor a regiões do mundo onde vivem quase 900 milhões de pessoas. Os dados alcançam diversas áreas, da América Latina até partes da África e da Europa.
O Copernicus reúne medições feitas por satélites, estações meteorológicas terrestres, marítimas e aéreas. O monitor também usa modelos numéricos e cobre o planeta hora a hora desde 1970.
Sahel, El Niño e recordes na Europa: números e situações citadas
Na África, quase 400 milhões de pessoas vivem no cinturão do Sahel. Nessa região, 10 países bateram o recorde mensal de calor em julho, incluindo Mauritânia, Níger, Burkina Faso, Sudão, Quênia e Etiópia.
Mais ao redor da Linha do Equador, a variação das temperaturas costuma ser menor nas zonas temperadas. Mesmo assim, Chade e Sudão passaram em mais de 2°C as temperaturas normais de julho calculadas para 1981-2010.
Na América Central e no norte da América do Sul, o El Niño começou em junho e alcança o pico no fim do ano. Do México ao norte do Brasil, cerca de 110 milhões de pessoas viveram o julho mais quente da história, segundo os registros citados, e El Salvador, Nicarágua e Honduras bateram recordes em junho e julho na região do “Corredor Seco”.
Quem vive na região pode sentir efeitos como fome e incêndios
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) diz que a América Central “provavelmente será a região mais afetada em termos de aumento relativo da insegurança alimentar”. O PMA também prevê mais 16 milhões de pessoas afetadas até o fim de 2027, incluindo o Caribe.
Na Europa, quase 120 milhões de europeus vivem onde julho de 2026 foi o mais quente já registrado, citando Reino Unido, Espanha e França. A Espanha teve temperatura média de 25,7ºC, com 2,6ºC acima do normal para 1991-2020, e registrou seca e incêndios, como o de Ávila, com quase 50 mil hectares no fim de julho.
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