The Guardian aponta preocupação com avanço de Flávio Bolsonaro em cidades da Amazônia

O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) em cidades da Amazônia brasileira aumentou a apreensão de lideranças indígenas e ambientalistas. O jornal britânico The Guardian relacionou a corrida em Roraima ao risco de voltar com o garimpo ilegal e enfraquecer a proteção territorial.

Medo de retorno do garimpo e pressão por exploração em terras indígenas

O The Guardian destacou que lideranças indígenas e ambientalistas temem mudança no cenário local. A reportagem liga essa preocupação à possibilidade de retomada da mineração e ao enfraquecimento das políticas de proteção territorial.

Na avaliação apresentada pelos eleitores ouvidos pelo jornal, o tema também passa por emprego e renda. O Guardian ouviu moradores que associam a queda do garimpo a dificuldades financeiras em Mucajaí.

Flávio ganhou quase 79% em Mucajaí e liderou em 14 de 15 municípios de Roraima

Em Mucajaí, no interior de Roraima, Flávio Bolsonaro conquistou quase 79% dos votos no primeiro turno. O desempenho foi o melhor proporcional dele no estado.

No estado, ele venceu em 14 dos 15 municípios. A região foi citada como uma das principais portas de entrada de garimpeiros ilegais na Terra Indígena Yanomami durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

O texto também menciona a promessa feita por Flávio durante a passagem pela Amazônia nesta semana. Ele falou em transformar riquezas naturais da região em benefícios econômicos para a população.

Segundo turno no domingo 25 e relatos de telefonemas após a votação

O segundo turno das eleições presidenciais acontece no domingo, 25. A disputa é entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as lideranças indígenas, o cenário é tratado como ameaça à sobrevivência das comunidades. O The Guardian trouxe a fala de Júnior Hekurari, presidente da Associação Urihi Yanomami, que contou ter ouvido relatos de telefonemas de garimpeiros após o primeiro turno pedindo a liberação de pistas de pouso clandestinas.

“Ao votar 22, os brasileiros estão assinando uma certidão de óbito para os Yanomami e para os indígenas em geral”, afirmou ao Guardian o líder Yanomami Júnior Hekurari, 40 anos.

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