A Polícia Federal abriu três inquéritos para investigar se Lulinha, filho de Lula, facilitou o acesso de empresários ao governo federal em troca de pagamentos. As apurações correm em sigilo e já envolvem órgãos como a Dataprev e o setor de compras do Ministério da Saúde.
Suspeitas colocam investigações no centro da corrida por reeleição de Lula
As investigações ligadas ao filho mais velho do presidente voltam ao debate político perto da reeleição. Em 2006, Lula já tinha sido pressionado a explicar a ascensão de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Agora, as apurações aparecem com foco em possíveis pagamentos e facilitação de acesso a órgãos públicos. Mesmo sem sair do sigilo, a suspeita já gera constrangimento no cenário eleitoral.
PF mira parceria entre Lulinha e o Careca do INSS em contratos na área de saúde
A Polícia Federal apura se Lulinha atuava em parceria com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso desde setembro do ano passado. Edson Claro, ex-diretor comercial da World Cannabis, aparece como testemunha-chave e disse que ouviu do ex-chefe informações sobre pagamentos ao filho do presidente.
Claro relatou à PF que o filho do presidente ganharia uma mesada de 300 000 reais para ajudar nos negócios junto a órgãos públicos. Ele também citou outro caso ligado ao Ministério da Saúde, com venda de testes rápidos para identificar o vírus da dengue, em um negócio de 1 bilhão de reais.
Segundo Claro, metade desse dinheiro iria para o Careca do INSS. Ele disse ainda que o restante seria dividido, com parte destinada a uma conta criada para receber comissão prometida a Lulinha.
Operação, depoimentos e buscas em casa de familiares do senador ocorrem na sequência
A PF informou que, em abril de 2025, fez a primeira fase da Operação Sem Desconto, que atingiu Camilo Antunes. No caso da pasta da Saúde, a apuração aponta que Camilo Antunes contratou serviços de Roberta Luchsinger, que apresentou Lulinha.
O texto da reportagem também registra diálogos no WhatsApp, postados em 13 de janeiro de 2025, com referência ao gabinete de Nísia Trindade. Em depoimento, Edson Claro disse que prestou sete depoimentos e citou a comissão de 25 milhões mencionada por Antônio, além do envolvimento do senador Weverton Rocha.
Na terça-feira 4, a Polícia Federal fez buscas na residência e em propriedades de familiares do senador, que é vice-líder do governo Lula. A suspeita é de que ele se beneficiava do esquema liderado pelo lobista que desviou 6 bilhões de reais dos aposentados do INSS.
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