A Anistia Internacional denunciou um esquema de Moscou para enganar estrangeiros e colocá-los no Exército na guerra da Ucrânia. A entidade cita vítimas de países como Brasil e diz que o recrutamento usa fraude e coerção.
Relatório aponta recrutamento de estrangeiros com “promessa de emprego” e coerção
Em relatório divulgado nesta quinta-feira, 10, a Anistia Internacional diz que Moscou usa “coerção, fraude e enganação” para reforçar as Forças Armadas russas com cidadãos estrangeiros em situação de vulnerabilidade.
A secretaria-geral da ONG, Agnès Callamard, afirma que os recrutadores desenvolvem um sistema para levar as vítimas à linha de frente.
Alvos citados incluem homens do Brasil e de outros países, com passaporte e celular confiscados
De acordo com a investigação, alguns estrangeiros foram atraídos por anúncios falsos de emprego e obrigados a se alistar depois de chegar à Rússia.
A Anistia Internacional relata que os mais visados são homens com menos de 40 anos e que vivem em países mais pobres. O relatório também cita que o esquema teve vítimas de Colômbia, Cuba, Sri Lanka, África do Sul e Brasil.
O texto aponta relatos de recrutados brasileiros com passaportes e celulares confiscados durante o treinamento ou antes de irem para a linha de frente. Pedro, profissional brasileiro de TI recrutado após achar que assinava um contrato de emprego na área de tecnologia, disse que pediu para ir embora e recebeu: “Se você tentar escapar, ou vai para a cadeia ou nós o mataremos”.
Anistia cita duas semanas de treino e pede provas de “tráfico de pessoas” à Ucrânia
A entidade diz que muitos alistados são enviados para zonas de combate ativo após apenas duas semanas de treinamento, mesmo com relatos de preparo insuficiente e barreiras de comunicação.
Agnès Callamard pediu que a Ucrânia e governos dos países com cidadãos alvo do sistema apresentem provas do que chama de “tráfico de pessoas” para que os responsáveis sejam processados.
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