CNI aponta aumento de custos com segurança e alerta para impacto na competitividade da indústria

Uma pesquisa da CNI indica que a insegurança patrimonial eleva os custos da indústria e piora a competitividade do país. O levantamento reúne respostas de empresários do setor e foi apresentado nesta terça-feira (9).

Custos com segurança pesam no preço final e tiram espaço para investimentos na indústria

Segundo a pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 62% das empresas do setor apontam aumento dos custos finais por causa das despesas com segurança no transporte. Outros 45% dizem que investimentos gerais em segurança encarecem o preço dos produtos.

Além disso, 81% dos industriais avaliam que a insegurança agrava o chamado Custo Brasil, que reúne entraves burocráticos, estruturais e econômicos que elevam os custos de produção e reduzem a competitividade. O assessor especial da CNI, Cássio Borges, afirma que recursos usados na proteção patrimonial acabam substituindo investimentos na indústria.

Pesquisa cita gastos, roubo de cargas e incidentes cibernéticos em cinco anos

Na mesma apresentação, a CNI mostrou que 53% dos empresários apontam que ameaças ao patrimônio impulsionam a circulação de mercadorias roubadas e a expansão da economia informal. Borges relaciona o roubo de cargas à compra de mercadoria ilegal e diz que a revenda cria concorrência desleal por causa de preços reduzidos, já que esses produtos não pagam impostos, taxas, contribuições e encargos.

O estudo também aponta que uma em cada cinco indústrias (20%) foi vítima de roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. As rodovias concentraram 68% dos casos e os itens mais visados foram fios e cabos (60%), ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos de produção (23%).

Indústria relata ataques digitais e diz que quer mais policiamento e segurança em rodovias

A CNI ainda relata que um em cada seis empresários industriais disse ter sofrido algum incidente cibernético nos últimos cinco anos, como vazamento de dados ou ataques de ransomware (sequestro de dados). Entre as empresas afetadas, 30% registraram prejuízos financeiros com fraudes ou com o pagamento de resgates de dados.

A pesquisa mostra que apenas 4% dos entrevistados perceberam melhora no cenário de segurança nos últimos cinco anos. No recorte de medidas, 54% defendem aumento do policiamento em áreas industriais e 53% cobram reforço da segurança ostensiva em rodovias e no transporte de cargas.

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