CNI defende nova agenda de investimentos em saneamento a partir de 2027

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu a criação, a partir de 2027, de uma agenda para ampliar os investimentos em saneamento e acelerar as metas de universalização previstas para 2033. A proposta prevê mobilizar estados que ainda não avançaram nos projetos de concessão de água e esgoto.

CNI quer mobilizar estados para acelerar concessões e cobrir água e esgoto

A CNI apresentou a proposta no Encontro Nacional das Águas e o Saneamento Brasil Summit, promovido pela Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON SINDCON), na quarta-feira (12), em São Paulo.

Segundo a entidade, a articulação entre poder público, empresas de saneamento e setor produtivo deve ampliar a cobertura dos serviços e ajudar na execução dos investimentos previstos.

Marco Legal de 2020 muda o setor e hoje 2.720 municípios têm prestadoras privadas

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, citou o Marco Legal do Saneamento Básico, publicado em 2020, como mudança no ambiente de investimentos e nas condições para a participação privada. Ele disse que 2.720 municípios têm prestadoras privadas de saneamento básico, o equivalente a 48,8% das cidades brasileiras.

Muniz também apontou obstáculos ligados a taxas de juros elevadas e à segurança regulatória, além da sustentabilidade financeira dos contratos. O objetivo, para ele, é consolidar o ciclo e criar resposta institucional coordenada.

Na discussão do evento, a diretora-presidente da ABCON SINDCON, Christianne Dias, afirmou que a universalização passou a focar na execução dos contratos. O presidente do Conselho de Administração da ABCON SINDCON, Paulo Roberto de Oliveira, citou expectativa de novo ciclo a partir de 2027, com foco em ampliar os serviços até as metas de universalização previstas para 2033.

Debate conecta saneamento ao Custo Brasil e mira investimento em infraestrutura

O diretor de Relações Institucionais da CNI também relacionou o tema ao déficit de infraestrutura. Ele citou dados de que o Custo Brasil é estimado em R$ 1,7 trilhão por ano, e que cerca de R$ 300 bilhões estão associados a problemas de infraestrutura.

Muniz disse que o Brasil investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura e que o patamar considerado necessário seria de pelo menos 4%. Ele mencionou que quase 70% do investimento atual vem do setor privado e comparou com China e Índia.

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