A Brasil Mineral promoveu um debate com lideranças do setor para discutir o impacto de novas tecnologias na engenharia de projetos minerais e os desafios para colocar essa inovação em prática. O encontro destacou que o ritmo da tecnologia avança, mas a adoção ainda esbarra em barreiras ligadas a pessoas, processos e integração entre etapas.
Tecnologia acelera, mas a adoção trava em cultura, processos e integração
O debate foi feito em um momento em que a mineração global enfrenta demandas de eficiência, sustentabilidade e velocidade. Nesse cenário, a engenharia mineral no Brasil lida com uma “encruzilhada” entre ferramentas tecnológicas e obstáculos estruturais.
Durante a conversa, o grupo apontou barreiras como formação de talentos, cultura organizacional, fragmentação entre disciplinas e dificuldade de transformar inovação em prática. O encontro também mostrou um descompasso entre a velocidade da inovação e a capacidade das organizações de se adaptar.
Lideranças citam baixa maturidade digital, lacuna de experiência e dependência de dados na IA
Moderaram o debate Cláudia Diniz, conselheira da revista, e Arão Portugal. Cláudia tem formação em engenharia química, com mestrado e doutorado em processamento mineral, e trabalha na Accenture. Arão tem experiência em Vale, Yamana Global e Amarillo Gold, e atua como consultor, com presença na Aclara Resources, mineradora de terras raras, com projeto no nordeste de Goiânia.
Como debatedores, participaram Mara Estanislau, Maria de Lourdes Bahia, Bruno Vartuli, Saulo Liberato, Alexandre Baltar e o Professor Maurício Bergerman. A discussão levou a pontos como gestão de riscos, revisão de metodologias tradicionais, incorporação gradual de tecnologias e fortalecimento de modelos colaborativos. A Inteligência Artificial apareceu como ferramenta estratégica, mas sem solução autônoma, com valor ligado à qualidade dos dados e à capacidade analítica de quem usa.
Outro destaque foi a lacuna de experiência após ciclos de crise e retração e os efeitos da pandemia. O grupo apontou que parte da nova geração de engenheiros ainda não viveu projetos completos, o que afeta a qualidade das decisões e reforça a necessidade de aproximação entre academia e indústria.
Pergunta central mira por onde começar: tecnologia, processos ou pessoas
Ao longo do debate, o grupo tentou responder a uma provocação direta: se desse para redesenhar o modelo de desenvolvimento de projetos de engenharia de capital, por onde começar. A conversa colocou em foco a escolha entre tecnologia, processos e pessoas.
O encontro terminou sem respostas definitivas. Os participantes indicaram que a transformação não depende só de avanços tecnológicos, mas de alinhar pessoas, processos e inovação na mesma direção.
Este conteúdo faz parte do Manchete Online, um projeto dedicado a trazer o essencial de cada notícia de forma clara e rápida. Aqui você lê tudo o que precisa saber em menos de 60 segundos. Assine nossa newsletter e receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.