Um levantamento com dados de seções eleitorais não confirmou a ideia de que a abstenção teria causado a perda de mais de 3 milhões de votos de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. A análise foi apresentada pelo cientista político Fábio Vasconcellos no programa VEJA em Foco, com apresentação de Raquel Novaes.
Análise das urnas não encontra padrão entre ausência de eleitores e queda de votação do petista
Vasconcellos disse que a comparação entre os dois pleitos não identificou evidências de que o não comparecimento tenha reduzido a votação de Lula.
O estudo também cruzou o desempenho de Lula com o de Flávio Bolsonaro em relação à votação de Jair Bolsonaro em 2022.
Abstenção no primeiro turno de 2026 chega a 21,08% e variação não acompanha a perda de votos
No primeiro turno de 2026, a abstenção chegou a 21,08%, com variação de 0,14 ponto percentual na comparação com o pleito anterior.
Quando a abstenção caiu, Lula teve redução de 3,83% na votação. Na estabilidade, a queda foi de 3,51%. Nos locais em que a ausência de eleitores aumentou, a redução chegou a 3,56%.
Vasconcellos afirmou que, com essa metodologia, não existe relação entre abstenção e perda de votos do petista nos dados analisados.
Nordeste: com abstenção menor, Lula ainda registra queda de votos e resultado contraria a tese
A equipe também analisou o Nordeste. Nas seções em que a abstenção diminuiu, Lula teve variação negativa de 3,42% e Flávio Bolsonaro cresceu 4,48%, segundo os números mostrados no programa.
Vasconcellos apresentou como hipótese principal a mudança de preferência de parte do eleitorado que votou em Lula em 2022, com parte desses eleitores migrando para Flávio Bolsonaro, escolhendo candidatos da chamada terceira via ou anulando o voto.
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