Um estudo aponta que ações de estímulo ao crédito do governo Lula podem adicionar até R$ 230 bilhões ao estoque de crédito da economia. A estimativa é do economista-chefe da FIEMG, João Paulo Pio, e envolve impactos na inflação e no ciclo de juros.
Crédito volta ao centro das medidas eleitorais de 2026 e afeta expectativa de juros
O estímulo ao crédito, usado por Lula entre 2003 e 2010, volta a ganhar força em 2026. As medidas entram no debate eleitoral às vésperas da segunda tentativa de reeleição do petista em sua carreira política.
João Paulo Pio calcula que o conjunto de ações pode aquecer a demanda no curto prazo. Ele também aponta que o efeito pode levar o Banco Central a reverter o corte de juros em curso.
Estimativa soma até R$ 230 bilhões e prevê alta do núcleo da inflação em até 0,5 ponto
Segundo o economista, as ações devem adicionar até R$ 230 bilhões ao estoque de crédito. Pio também prevê aumento do núcleo da inflação em até 0,5 ponto percentual em um período de doze a dezoito meses.
Entre as iniciativas citadas estão o consignado para trabalhadores do setor privado, lançado em março de 2025, e programas do BNDES. O pacote inclui Brasil Soberano 2.0 e Crédito Indústria 4.0, além de linhas para crédito habitacional, compra de veículos e máquinas agrícolas.
O estudo traz ainda projeções fiscais. Para este ano, o governo projeta superávit primário de 0,25% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 34,3 bilhões, valor que Pio descreve como insuficiente para novos pacotes sem pressionar o equilíbrio fiscal.
Quanto cada medida pode injetar em crédito neste ano
O levantamento estima valores que vão de R$ 7,7 bilhões a R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões. Os números citados incluem Crédito do Trabalhador (consignado para trabalhadores do setor privado) — 70 a 100 bilhões de reais, Novo Crédito Imobiliário — 22,9 bilhões de reais e Reforma Casa Brasil — 12,9 bilhões de reais.
Também entram Minha Casa, Minha Vida Faixa 4 — 7,7 bilhões de reais, Move Brasil: Táxi e motoristas de aplicativo — 30 bilhões de reais, Move Brasil: Caminhões e ônibus — 21 bilhões de reais e Move Brasil: Máquinas e implementos agrícolas — 10 bilhões de reais. O estudo aponta ainda Brasil Soberano 2.0 — 15 bilhões de reais e Crédito Indústria 4.0 — 10 bilhões de reais.
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