EUA deixam últimas bases no Iraque até 30 de setembro, após mais de 20 anos

Os Estados Unidos vão deixar as últimas bases no Iraque até esta quarta-feira, 30, encerrando mais de duas décadas de presença militar no país. A retirada acontece enquanto o governo americano mantém um conflito com o Irã e o tema ganha força em Bagdá.

Saída das bases no Iraque encerra presença militar e muda o tabuleiro regional

O fim da presença militar foi acertado em 2024, durante o governo do então presidente Joe Biden. A administração de Donald Trump coloca a retirada em prática agora.

O movimento também ocorre com autoridades e especialistas iraquianos atentos ao risco de maior influência do Irã no país. Eles citam ainda a chance de espaço para uma reorganização do Estado Islâmico (EI).

Retirada após invasão em 2003 e alertas sobre influência iraniana e reativação do EI

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e derrubaram o regime de Saddam Hussein. A justificativa oficial foi a suposta existência de armas de destruição em massa, o que nunca foi comprovado.

A retirada acontece com o Iraque no meio de disputas entre as duas potências. Autoridades de segurança iraquianas e do Curdistão afirmam que a perda de apoio americano em áreas como inteligência, logística e operações com drones pode favorecer uma reorganização dos extremistas do Estado Islâmico.

Durante a guerra iniciada em 2003, cerca de 4.500 militares americanos morreram. Em 2020, um ataque americano no aeroporto de Bagdá matou o general iraniano Qasem Soleimani, enquanto milícias apoiadas pelo Irã fizeram ataques repetidos contra bases americanas no país.

Com data marcada para 30, grupos celebram e outras forças temem mudanças em Bagdá

Grupos armados iraquianos apoiados por Teerã comemoraram a saída americana. Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, disse à agência de notícias Reuters que a retirada representa “uma vitória histórica para os grupos da resistência islâmica iraquiana e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto americano”.

Ele também afirmou: “Em 30 de setembro, celebraremos o encerramento de uma página sombria da história do Iraque e o fracasso da ocupação em impor sua vontade ao nosso país”. Ao mesmo tempo, há preocupação de que as forças de segurança do país ainda dependam da coalizão liderada pelos Estados Unidos e que milícias ligadas ao Irã ampliem influência sobre decisões políticas e de segurança em Bagdá.

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