Ex-diretor e ex-chefe-adjunto do BC divergem na PF sobre comunicação de fraudes do Master

A Polícia Federal ouviu Paulo Sérgio de Souza e Ailton de Aquino e os dois deram versões diferentes sobre a comunicação de indícios de fraude envolvendo o Banco Master. A briga de narrativas envolve o prazo para informar o Ministério Público e o papel de cada um na descoberta do caso.

Desacordo na PF envolve atraso na comunicação ao Ministério Público e atuação de Paulo Sérgio

Paulo Sérgio de Souza foi investigado sob acusação de ter prestado “consultoria informal” ao ex-dono do Master Daniel Vorcaro. Nos depoimentos, ele e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, trocaram questionamentos sobre possíveis omissões e sobre quem percebeu os problemas primeiro.

Aquino disse que Paulo Sérgio não teria desconfiado de negócios sem lastro do conglomerado de Vorcaro com a gestora Reag. O diretor citou fevereiro de 2025 e também apontou que já havia percepção no Banco Central sobre a maquiagem de números de ativos e de liquidez no Master.

Paulo Sérgio chama declarações de Aquino de “estranha” e cita “fase 1” e “fase 2” da Compliance Zero

Paulo Sérgio respondeu ao delegado responsável e chamou a declaração do diretor de “estranha”. Ele afirmou que, por ter cargo hierarquicamente inferior, não poderia ter deixado de ter uma percepção que o próprio diretor teria tido sobre a segunda fraude.

O ex-adjunto disse que a equipe dele descobriu e comunicou a fraude que deu origem à “fase 1 da Compliance Zero”. Ele também afirmou que a fraude de setembro de 2024 que gerou a “fase 2” foi igualmente resultado do trabalho da equipe que ele coordenava.

Paulo Sérgio ainda contou que a cúpula do BC pediu que o grupo preparasse uma apresentação à Polícia Federal e ao Ministério Público. Ele disse que, “em nenhum momento dessa apresentação”, o Banco Central mencionou a operação do fundo Bravo.

Relato menciona silêncio sobre o fundo Bravo e fala de atuação do presidente do BC

Paulo Sérgio declarou à PF que Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino “fizeram de tudo para não falar dessa operação”. Ele disse que achou estranho o silêncio, porque a operação de setembro de 2024, quando a equipe descobriu o fundo Bravo, mudou a percepção dele sobre o Banco Master.

Segundo o depoimento, o diretor Aquino teria mudado a narrativa a partir da fraude dois. Paulo Sérgio disse que “eles não gostam de falar” que já se sabia de uma fraude desde setembro de 2024.

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