O painel “IA e gestão estratégica de dados na localização de novos mercados” reuniu especialistas no segundo dia de atividades do evento de apostas BIS SiGMA South America, realizado em 8 de abril, no Palco Paulista. O debate abordou como inteligência artificial, CRM e análise de dados estão transformando o setor de apostas , principalmente em estratégias de retenção, personalização e eficiência operacional dentro das plataformas apostas regulamentadas.
Participaram do painel Roberto Regianini, vice-presidente do Grupo UX, Muriel Le Senechal, gerente comercial LATAM da Fast Track, e Ronaldo Kos, diretor comercial da Vibra Gaming. Durante a discussão, os executivos analisaram o avanço da IA no setor e os impactos da tecnologia para apostas na experiência dos jogadores e na sustentabilidade do mercado regulado.
Logo no início do painel, Regianini destacou que a inteligência artificial deixou de ser apenas tendência e passou a ocupar papel central na operação das empresas do segmento.
“A chave é o futuro. Não é quem tem mais dados ou quem tem dados, é sobre quem consegue transformar esses dados em eficiência e melhor experiência”, afirmou Regianini.
O executivo explicou que operadores já utilizam ferramentas preditivas para identificar comportamento de usuários, prever LTV e otimizar campanhas de aquisição e retenção. Além disso, ele ressaltou que a IA também auxilia no combate a fraudes, abusos de bônus e práticas relacionadas ao jogo responsável.
Le Senechal reforçou que o mercado brasileiro atravessa uma nova fase após a regulamentação. Segundo ela, as empresas agora precisam focar em retenção, personalização e construção de relacionamento com o usuário.
“2025 foi um ano de estruturação. Agora, em 2026, os operadores querem entender como podem melhorar”, disse Le Senechal.
A executiva afirmou que muitos operadores ainda não exploram todo o potencial da inteligência artificial dentro das operações. Para ela, o uso correto de CRM e dados em tempo real pode mudar completamente o desempenho das marcas.
“A aquisição não vai pagar a conta. O que vai manter essas marcas vivas é inovação”, destacou Le Senechal.
Como a inteligência artificial muda a retenção nas plataformas de apostas
Le Senechal também afirmou que o conceito de “tropicalização” precisa evoluir para uma personalização regional mais profunda, considerando diferenças culturais e comportamentais entre estados brasileiros.
“A gente precisa olhar estado por estado. O comportamento varia de região para região e de cidade para cidade”, comentou Le Senechal.
Kos abordou a visão dos provedores de jogos dentro do novo cenário regulado. O executivo explicou que os dados coletados pelas operadoras permitem criar produtos mais alinhados ao perfil de cada jogador.
“Não é você ter o melhor jogo. É você ter o jogo que o cliente busca”, afirmou Kos.
Segundo o diretor comercial da Vibra Gaming, a inteligência artificial permitirá que provedores adaptem jogos em tempo real, reduzindo o tempo de desenvolvimento e aumentando a eficiência das operações.
“O game provider precisa entregar o produto certo para o jogador certo, no momento certo”, pontuou Kos.
Durante o debate, os participantes também analisaram os desafios enfrentados pelas empresas reguladas diante da concorrência de operadores ilegais. Os executivos defenderam que o mercado precisa investir em educação dos jogadores e reforçar as vantagens das plataformas apostas regulamentadas.
Ao encerrar o painel, os palestrantes defenderam que a inteligência artificial deve funcionar como ferramenta de apoio às equipes humanas, sem substituir profissionais do setor.
“A IA vai trazer eficiência e estratégia se você souber usar. Mas ela não substitui o trabalho humano”, concluiu Le Senechal.
