O bloqueio e o impasse no Estreito de Ormuz deixaram cerca de 20 mil marinheiros presos no Golfo Pérsico, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI) das Nações Unidas. A entidade diz que a situação virou uma crise humanitária com falta de alimentos e risco de ataques.
OMI diz que situação no Golfo Pérsico virou crise humanitária com marinheiros ilhados
A OMI afirmou nesta terça-feira, 5, que os marinheiros enfrentam uma crise “sem precedentes” no Golfo Pérsico. O órgão informou que o problema ocorre enquanto o impasse entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz segue sem solução.
Damien Chevallier, diretor da Divisão de Segurança Marítima da OMI, declarou em entrevista à emissora americana CNN que a agência tem cerca de 20 mil marinheiros no Golfo há quase oito semanas. Ele disse que nunca viu um cenário como esse.
Pedidos de saída travados: navios à deriva, ataques e pedágio de US$ 2 milhões
A OMI relatou que muitas embarcações petrolíferas estão à deriva no mar, sem proteção legal efetiva e expostas a ataques. As tripulações sofrem com escassez de alimentos.
O órgão informou que a navegação no Estreito de Ormuz está fechada desde o início do conflito. Teerã teria imposto restrições e permitido a travessia só para países aliados, mediante pagamento de um pedágio estipulado em US$ 2 milhões.
Depois de negociações fracassadas, os Estados Unidos teriam decidido enfrentar o Irã nos mesmos termos e estabelecido seu próprio bloqueio naval a navios e portos do país. A OMI disse que cerca de 800 a 1.000 embarcações ficaram presas, sem travessia segura, e que pelo menos 29 ataques a navios foram registrados na região, com morte de 10 marinheiros.
Relatos de tripulantes e travessia em 14 de abril antes do prazo de Trump
Isdik Alam, capitão de um navio retido no Golfo Pérsico, disse à CNN que a tripulação reutilizou água dos sistemas de ar condicionado para lavar roupas e até preparar alimentos. Ele descreveu condições precárias na embarcação.
O artigo também cita o petroleiro Aurora, ligado à frota clandestina iraniana. A tripulação relatou escassez de alimentos e de água potável e disse ter sido alvo de um ataque de drones. O navio atravessou o estreito em 14 de abril, horas antes do prazo estipulado pelo presidente americano Donald Trump para impor um bloqueio aos portos iranianos.
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