A guerra no Irã já começa a afetar o abastecimento global de energia, segundo Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras. Ele diz que o bloqueio no Estreito de Ormuz trava navios e aumenta o risco de falta de combustíveis.
Bloqueio no Estreito de Ormuz trava navios e vira crise de abastecimento
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, Jean Paul Prates afirmou que o mundo entrou numa fase mais crítica da crise do petróleo. Ele disse que agora há interrupções reais na entrega de combustíveis.
Prates citou o bloqueio logístico no Estreito de Ormuz como causa do problema. Ele explicou que a circulação de navios sofre bloqueio, o que cria um gargalo no transporte.
“Cerca de 600” petroleiros retidos e medidas emergenciais na Ásia e na Europa
O ex-presidente da Petrobras disse que cerca de 600 navios petroleiros ficam retidos na região. Ele afirmou que isso compromete o fornecimento para países da Ásia e da Europa.
Prates contou que, até recentemente, os mercados ainda eram abastecidos por cargas enviadas antes do agravamento do conflito. Agora, ele disse que esse fluxo foi interrompido, levando países dependentes de importação a adotar medidas emergenciais.
Ele citou casos de racionamento de energia e restrições ao consumo. Entre os exemplos estão limitação no uso de ar-condicionado e suspensão de atividades escolares para reduzir a demanda.
No Brasil, foco fica em diesel; no exterior, risco passa a ser falta de produto
Prates afirmou que o preço do petróleo deixa de ser o principal problema e que o risco passa a ser estrutural. Ele disse que, mesmo com disposição para pagar mais caro, os países podem não encontrar combustível disponível no mercado.
No caso do Brasil, ele avaliou que o cenário é menos crítico no curto prazo por causa da capacidade de produção e refino. Ainda assim, ele apontou vulnerabilidade na importação de diesel, que representa cerca de 20% do consumo nacional.
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