O governo de Luiz Inácio Lula da Silva analisa unir reação pública contra Donald Trump com negociações reservadas para conter a nova escalada tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil. O tema ganhou força com anúncios ligados a tarifas adicionais de 10% a 12,5% e uma sobretaxa anterior de 25%.
Crise tarifária pressiona economia e muda o jogo político nas negociações com os EUA
Durante o programa Ponto de Vista, o editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, disse que a ofensiva americana afeta o Brasil em áreas econômica, diplomática e eleitoral.
Ele afirmou que o governo pode usar politicamente a ligação entre o clã Bolsonaro e a Casa Branca, junto de uma estratégia com retórica mais firme e conversa diplomática por trás.
EUA anunciam estudos de tarifas de 10% a 12,5% e reunião de Mauro Vieira em Paris
As novas tarifas dos EUA ganharam força após o governo americano anunciar estudos para aplicar adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos brasileiros. A justificativa citada no anúncio envolve falhas no combate ao trabalho forçado.
O anúncio veio um dia depois de Washington divulgar sobretaxa de 25% sobre produtos do Brasil. O comentarista também mencionou que a investigação americana foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O chanceler Mauro Vieira se reuniu em Paris com representantes do governo americano durante encontro da OCDE. Segundo o Itamaraty, os dois países ainda negociam uma saída diplomática dentro do prazo de trinta dias estabelecido após a recente visita presidencial a Washington.
Diplomacia tem janela de 30 dias, e impacto político envolve listas dos EUA e críticas do bolsonarismo
José Benedito da Silva disse que ainda há margem de negociação diplomática antes da implementação definitiva das medidas. Ele lembrou que várias ações anunciadas por órgãos da administração americana dependem de aval direto de Trump para valer.
Na política, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, excluiu o Brasil da lista de aliados prioritários dos EUA na América Latina. O episódio também levou Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro a criticarem o governo Lula pelas tensões comerciais.
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