Terremotos atingem La Guaira e Caracas, deixam milhares de mortos e desabrigados na Venezuela

Dois terremotos na noite de quarta-feira 24 atingiram La Guaira e Caracas e viraram a região em um cenário de destruição, com milhares de mortos e muita gente sem abrigo. A tragédia afetou sete dos 23 estados da Venezuela e segue mobilizando equipes de resgate e familiares.

La Guaira vira necrotério a céu aberto e famílias tentam reconhecer parentes

La Guaira, a cerca de meia hora de carro de Caracas, ficou destruída depois dos abalos de magnitude superior a 7 graus. A devastação se espalhou e fez a cidade concentrar o epicentro de danos em larga escala.

Com falta de espaço no necrotério, cadáveres foram retirados das montanhas de destroços e a calçada à beira-mar virou depósito. No cais, famílias faziam fila para identificar corpos de parentes desaparecidos.

Mortes, feridos e desaparecidos; resgates e falta de itens em hospitais

Até quinta-feira 2, a situação tinha mais de 2 000 mortos, 10 000 feridos e cerca de 50 000 desaparecidos. Em alguns casos, equipes de resgate conseguiram retirar pessoas com vida, como em Altamira, onde dezoito pessoas foram tiradas dos escombros.

A busca enfrenta o fechamento da janela crucial de 72 horas para encontrar pessoas respirando sob os escombros. Em hospitais, a crise piorou com falta de analgésicos e antibióticos, além de eletricidade e água para procedimentos e higiene.

Janeth Márquez, diretora-executiva da Cáritas na Venezuela, disse que entrou em colapso total e relatou que ao menos 38 unidades hospitalares tiveram danos e três tiveram que interromper a atividade. A cirurgiã plástica Giselmar Soto contou que não havia auxiliares treinados e que a equipe fez revezamento nas operações urgentes.

Apagões, falta de comida e governo cita realocação; Brasil envia ajuda

Os apagões voltaram e cortaram a conexão com a internet. A agência da ONU para refugiados, Acnur, informou “escassez generalizada” de alimentos em La Guaira.

O governo do Brasil enviou cinco voos humanitários da FAB e o ministro da Defesa, José Mucio, viajou a Caracas e ofereceu cooperação na reconstrução. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou um fundo de 200 milhões de dólares para recuperação da tragédia, sustentado com recursos do FMI.

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