Ministros do STJ reclamam de falta de apoio e de investigações que não têm prazo no caso de venda de decisões

Quase dois anos depois de VEJA revelar um esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça, ministros do STJ reclamam nos bastidores de uma suposta falta de solidariedade da cúpula e de investigações sem prazo para terminar.

O caso já teve denúncia do Procurador-Geral da República Paulo Gonet e tramita, com desdobramentos ligados ao Supremo.

Depois de VEJA, ministros do STJ dizem que cúpula não se posicionou publicamente

Os magistrados relatam que a cúpula do STJ não apareceu para defender os integrantes da Corte ou para explicar que os ministros não teriam participação direta no esquema citado na denúncia.

Na denúncia, os envolvidos seriam advogados, lobistas e servidores envolvidos no comércio de decisões ligadas a causas milionárias.

Denúncia de Paulo Gonet cita nove pessoas e inclui Andreson Gonçalves e ex-servidores

No final de maio, Paulo Gonet denunciou nove pessoas por participar do comércio de decisões no STJ, com menção ao lobista Andreson Gonçalves e a ex-servidores dos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

O procurador registrou que Nancy Andrighi e Isabel Gallotti não fariam parte do esquema e pediu a continuidade do caso no STF.

O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, disse que ainda existem “investigações em andamento conexas às apurações” que levaram à denúncia, envolvendo autoridades com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal.

STJ encerra PAD com demissão e aponta influência ilícita em decisões

No administrativo, a sindicância interna do STJ terminou em 2025 com a demissão do ex-assessor Márcio José Toledo, que já foi lotado nos gabinetes de Andrighi e Gallotti.

No PAD, a comissão registrou que depoimentos colhidos administrativamente reforçam a suspeita de atuação em parceria com o lobista Andreson Gonçalves e com advogados para vender decisões, e cita a advogada Caroline Azeredo como lobista, com “oferecendo influência ilícita em decisões judiciais” e “proposta de intervenção no processo”.

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