A Justiça dos Estados Unidos indiciou o ex-presidente cubano Raúl Castro por um ataque que, em 1996, derrubou dois aviões civis e matou quatro pilotos. Quase 30 anos depois, René González, ex-agente cubano e ligado à organização Irmãos ao Resgate, deu sua versão do caso.
O novo depoimento entra no meio de uma disputa diplomática que volta a ganhar força entre Washington e Havana.
René González diz que o grupo Irmãos ao Resgate não agia só com resgate
René González falou à AFP e contou detalhes sobre o episódio que reacendeu a tensão entre os dois países.
Ele participou da fundação da organização Irmãos ao Resgate e contestou a imagem do grupo como exclusivamente humanitário.
Ataque de 24 de fevereiro de 1996 resultou na morte de quatro pessoas
O caso ocorreu em 24 de fevereiro de 1996. Naquele dia, caças MiG cubanos derrubaram duas aeronaves civis dos Irmãos ao Resgate, causando a morte de quatro pessoas.
Um terceiro avião, pilotado por José Basulto, fundador da organização, conseguiu escapar.
Washington sustenta que o ataque aconteceu em espaço aéreo internacional, confirmado pela Organização da Aviação Civil Internacional. Havana diz há décadas que os aviões invadiram território cubano e que a ação ocorreu em legítima defesa.
Indiciamento mira Raúl Castro e inclui acusações ligadas a assassinato e destruição de aeronaves
A nova acusação dos EUA mira Raúl Castro, então ministro da Defesa, e depois sucessor de Fidel Castro no comando de Cuba. Ele foi indiciado por assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves.
González também relacionou o episódio à aprovação da Lei Helms-Burton, sancionada em 1996 por Bill Clinton, e declarou: “Seria uma tragédia para Cuba e para os Estados Unidos.”
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