Investigação liga 12 universidades britânicas a empresa que analisou redes sociais

Uma investigação da Al Jazeera e do Liberty Investigates revelou que 12 universidades do Reino Unido contrataram uma empresa privada de segurança para “espionar” estudantes e acadêmicos, inclusive pró-Palestina. O caso veio à tona nesta segunda-feira, 20, e mostra como as instituições lidaram com protestos em campi.

Empresa de segurança monitorou protestos em campi após contrato com universidades

Segundo os documentos obtidos, a Horus Security Consultancy Limited analisou publicações em redes sociais e fez avaliações de risco de terrorismo para algumas universidades.

A investigação aponta que as 12 instituições recorreram à empresa para acompanhar protestos nos seus campi, sem indicar ilegalidade na prática.

Horus recebeu mais de 440 mil libras desde 2022 e analisou alertas sobre grupos

De 2022 em diante, a companhia recebeu ao menos 440 mil libras, mais de 2,9 milhões de reais, para esses serviços.

Entre as universidades citadas estão Oxford, Imperial College London, University College London (UCL), King’s College London (KCL), Sheffield, Leicester, Nottingham e Cardiff Metropolitan.

Os registros internos também mostram que, em outubro de 2024, a Universidade de Bristol entregou uma lista de grupos estudantis para a empresa, com pedidos de alertas a organizações pró-Palestina e a ativistas dos direitos dos animais.

Universidades dizem ter objetivo de monitorar eventos e ONU critica uso de dados

A investigação cita que a Al Jazeera e do Liberty Investigates pediram informações a mais de 150 universidades com base na Lei de Acesso à Informação. A Universidade de Sheffield disse que usa serviços externos para monitorar eventos que podem impactar a instituição, como grandes protestos, e afirmou ser “incorreto” dizer que a ação busca desencorajar o ativismo.

A Imperial College London negou que os serviços pagos à Horus sejam vigilância dos estudantes. A relatora especial da ONU para liberdade de reunião e associação pacíficas, Gina Romero, alertou que “o uso da IA para coletar e analisar dados dos alunos sob o disfarce de inteligência de código aberto levanta profundas preocupações legais”.

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