Cerca de 45% dos empresários industriais esperam aumento do endividamento bancário nos próximos três meses. A previsão aparece em uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e mostra mais pressão por crédito para manter o fluxo de caixa.
Pesquisa inédita da CNI aponta mais busca por crédito com juros ainda altos
A CNI diz que a expectativa de endividamento cresce porque as empresas precisam recorrer mais ao crédito para cobrir despesas operacionais. O objetivo é manter o fluxo de caixa em um cenário de juros considerados ainda elevados.
A analista da CNI Maria Virginia Colusso afirma que, mesmo com corte da Selic (taxa básica de juros) para 14,25% ao ano, o juro real fica perto de 10% ao ano. Ela chama esse quadro de política monetária bastante restritiva.
Percentuais apontam apostas em financiamento para contas a receber, estoques e contas a pagar
Mais da metade das empresas consultadas, 51%, projeta aumento da necessidade de financiamento com contas a receber como garantia nos próximos três meses. A CNI liga o movimento ao risco de inadimplência ou atrasos nos pagamentos feitos pelos clientes.
Em paralelo, 48% dos empresários preveem maior necessidade de financiamento para manter estoques de insumos e mercadorias no mesmo período. Ao mesmo tempo, 45% desses respondentes acreditam que os juros cobrados nessas operações vão subir.
Já no financiamento das contas a pagar, 59% esperam mais procura por crédito nos próximos três meses. A pesquisa também indica que 52% das empresas acreditam que os juros dessas operações devem subir.
Margem menor e repasse de custos aparecem nas expectativas para o próximo trimestre
O estudo mostra que 64% dos industriais esperam redução da margem líquida dos negócios, indicador que mede a relação entre lucro e faturamento. Para compensar, 51% pretendem elevar os preços de venda nos próximos três meses, enquanto apenas 7% devem reduzir.
A analista diz que, com juros elevados por mais tempo, a indústria perde dinamismo e isso afeta geração de emprego e renda, além de limitar o crescimento da economia.
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